Há quem diga que o Motocross começou após a Segunda
Guerra Mundial, mas, este desporto apenas se tornou mais conhecido quando nos
anos 20 se organizaram provas de cross-country em Inglaterra e no Norte da
América, embora nessa época ainda não era denominado de Motocross.
Em 1926, a Cotona Clube de
Motociclismo de Nova York, realizou uma corrida idêntica aquela que foi
realizada em 1920, mas com o nome de Troféu de Turismo. Embora os pilotos não
se tivessem apercebido que aquela modalidade estava a ter muito êxito entre os
motociclistas de Inglaterra. Porém, após alguns anos as corridas de
Cross-Country tornaram-se muito conhecidas nos Estados Unidos e no Canadá.
Entre 1924 e 1934, realizou-se uma corrida entre Inglaterra
e França que passou pelo Canal da Mancha. Os Franceses apareceram com o nome de
“motocross”, e de “motocicleta ” e “cross-country”, e desenvolveu um percurso
novo, mas mais curto e com obstáculos artificiais, como por exemplo, os saltos.
Um dos primeiros grandes eventos
desportivos na Europa após a Segunda Guerra Mundial teve a participação de uma
Equipa Internacional que competia Motocross, e que foi organizada pelos Países
Baixos no ano de 1947. Apenas dois outros países, a Bélgica e a Grã-Bretanha
participaram nesse evento.
A prova consistiu em duas mangas
de oito voltas, ao longo de uma pista de 2km, a pontuação da equipa teve como
base o tempo dos três pilotos mais rápidos. Nessa corrida a equipa Britânica
venceu apenas por nove segundos sobre a Bélgica. Depois deste evento a
modalidade ganhou mais adeptos e levou a que em 1949 se realizasse o primeiro
Motocross das Nações, pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM).
Mais tarde, em 1952, a FIM inaugurou um
Campeonato Europeu individual com motas de 500cc. Já em 1957 tornou-se numa
prova que fazia parte do Campeonato Mundial, mas apenas em 1962 entraram em
prova as classes de 250cc.
Mas, voltando um pouco mais atrás, a
primeira corrida que usou o nome que hoje, todos conhecemos, Motocross, apenas
se realizou no ano de 1959 em Grafton, Vermont, nos Estados Unidos da América.
O primeiro promotor foi um representante Alemão, da marca Maico, uma das
melhores marcas de motas do Mundo na altura.
Mas, de facto, foi um californiano,
representante da Husqvarna na Suécia que realmente fez com que o Motocross se
tornasse um desporto popular nos Estados Unidos da América. De seu nome, Edison
Dye, um engenheiro de aeronáutica e piloto de motocross, que começou a organizar
as Tournées Europeias de Motocross na época dos anos 60 e que durante essas
tournées teve contacto com a marca. Nessa altura ele concordou em ser o
representante oficial e distribuidor e apostou numa grande campanha de
marketing para promover a mota e demonstrar o seu desempenho nas provas.
No outono de 1966, Dye contratou Torsten Hallman, piloto
Sueco, na altura campeão Mundial das 250cc, para fazer umas corridas na América
aos comandos de uma Husqvarna. Facilmente foram ganhos muitos pódios. Felizmente
os fãs começaram a crescer, embora somente em 1970, a AMA (American
Motorcyclist Association ) se tenha finalmente juntado à FIM e tornou-se no
primeiro passo para a realização de competições internacionais.
Entretanto a Grã-Bretanha começou a dominar o desporto nas
duas primeiras décadas e venceu 15 de 20 campeonatos do Motocross das Nações.
Logo depois, a Bélgica tomou o poder e venceu sete campeonatos que foram desde
1969 até 1980. Logo a seguir, em 1981, um jovem que fazia parte da equipa Americana
venceu o Motocross das Nações com apenas um ponto de vantagem à sua adversária
Grã-Bretanha, embora na altura tenha sido considerado por muitos um golpe de
sorte, mais tarde veio a verificar-se que era apenas o início de uma série de
13 Campeonatos consecutivos ganhos pelos EUA.
Em Portugal, a origem do Motocross data por volta dos anos
60, por iniciativa de alguns alunos de um colégio no Porto. Na altura competiam
entre si nos terrenos anexos ao colégio, com motorizadas da época.
Nessa altura, o Jornal de Notícias fez uma
reportagem sobre o acontecimento, e assim ajudou a divulgar mais a modalidade
no nosso país. No ano de 1969, mais propriamente a 27 de Abril, na Vila de
Queluz, 42 pessoas inscreveram-se para uma prova, mas apenas 26 apareceram, onde
somente 10 se classificaram.
A nível de marcas, eram várias as
usadas pelos pilotos, desde a “Ariel”, “Royal”, “Yamaha”,”Honda”, e a “Jawa”,
que era a única realmente preparada para motocross, e a famosa “sachs”
automática, e a “gó gó” de rodas pequenas, na qual se sagrou Campeão Nacional o
Piloto Elvino do Nascimento, nesse mesmo ano.
A
Partir daí iniciou-se o Campeonato Nacional, onde os pilotos Nani, Leonel de
Sousa, Elvino do Nascimento, Alfredo Tomás, Orlando Fonseca, Manuel de Almeida
e José Paulo se iniciaram na modalidade mais à séria. No ano a seguir
juntaram-se mais pilotos, nomes como António Tavares, Manuel Maçadas e Abílio
Fernando.
E assim foi dado o “mote” para a modalidade crescer e ter
tantos praticantes e adeptos como temos nos dias de hoje.
É um facto que o Motocross não é tão
conhecido como outras modalidades, mas também é verdade que o companheirismo
que se vive dentro deste núcleo é tão grande e tão puro que faz com que o
número de adeptos e amantes deste desporto se multiplique e seja superior aos
amantes de outras modalidades.
O motocross é uma forma de vida, e prova disso, são os
grandes nomes do nosso campeonato, que até aos dias de hoje, deram e continuam
a dar o litro para mostrar que temos grandes campeões em Portugal.
É um facto que durante todos estes anos houve sempre
alterações que não são do agrado de todos, mas no fundo estamos todos virados
para o mesmo caminho, levar a modalidade um pouco mais longe sempre que
possível, por isso há que divulgar a história de um desporto que já conta com
quase 100 anos de existência e que continua a surpreender e a trazer emoções a
todos aqueles que o vivem, tal como o ar que respiram.



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